Temporada 1/2003

Cineclube-Voltou

Cineclube - Cabeçalho-07Sobre cineclubes e o cineclube IESB A cultura audiovisual é agressivamente impactante na formação das pessoas nos dias de hoje. Uma parte muito grande do que aprendemos em termos de história, geografia, ética e estética vem da cultura audiovisual, seja pelo cinema, pela tv ou pela internet. Porém, não existe ainda uma educação formal em torno disso. As crianças vêem muitos filmes e não lêem quase nenhum livro. No entanto, continuamos tendo aulas regulares de literatura na escola, mas não de cinema. A linguagem audiovisual pode ser bastante complexa e até mesmo capciosa, e é fundamental que as pessoas saibam como “ler” filmes e vídeos. O cineclube IESB está vinculado ao curso de cinema da faculdade, e serve como extensão, para os alunos e para a comunidade cinefílica da cidade, de um entendimento sobre a história do cinema. Exibimos filmes de todos os lugares, todas as épocas e todos os gêneros, tentando promover um material abrangente, cuja qualidade fílmica é sempre o único critério em comum. O cineclube, portanto, tem também esta função: cultivar o próprio cineasta e o cinéfilo, apresentar as diversas formas de cinema produzidas em lugares e épocas diferentes, estimular sua criatividade e mostrar a importância de  conhecer o cinema para se realizá-lo com inovação.

Diretrizes CINECLUBEIESB:

1 – Nosso cineclube é gratuito e aberto a todos!

2 – Nosso cineclube acontece na sala de cinema do IESB, com as confortáveis poltronas que proporcionarão uma respeitável experiência cinematográfica.

3 – Nosso cineclube possui programas bastante diversos entre si, a partir do seguinte conceito:

Quartas-feiras – 11h30 (TÓPICOS ALTERNATIVOS DE CINEMA): cinemas que se situam fora dos círculos tradicionais de debate, buscando áreas periféricas – mas não menos importantes – que envolvam a produção audiovisual, como o cinema surrealista, a ficção científica, o primeiro cinema, as vanguardas modernas, relações entre o cinema e outras formas de arte, entre outros. O objetivo desta seleção é trazer ao escopo dos debates um olhar criterioso para estas manifestações audiovisuais que são muitas vezes levianamente ignoradas/subestimadas. Além disso, tópicos canônicos ou tradicionais esquecidos ou fora de moda também são de nosso interesse.

4 – Nossas sessões com freqüência contam com especialistas convidados para debater o filme com os convivas presentes. A apresentação é filmada e serão postados sempre vídeos com o melhor desses debates. Entre nossos convidados incluem-se pesquisadores, cineastas, cinéfilos, críticos, jornalistas, etc.

5 – Nosso cineclube se localiza na UNIDADE  ASA SUL do IESB. Bloco B, térreo, na SALA DE CINEMA.

6 – Ajude a divulgar nosso cineclube! Passe esse blog adiante e também nos siga no twitter: @cineclubeiesb

Programa Perspectivas da Cultura Digital

As tecnologias digitais de informação e comunicação em rede estão cada vez mais infiltradas no cotidiano e no imaginário contemporâneos. Este fenômeno move uma intensa rearticulação de noções de autoria, criatividade, trabalho colaborativo e relação entre arte e indústria. Os três documentários selecionados para este programa apresentam abordagens distintas do histórico recente e dos rumos da cultura digital, com a apresentação de algumas possibilidades de desdobramento de seus temas e estética.

13/03: Life in a Day (Kevin Macdonald. EUA, 2011, 90 min. Classificação: 13 anos. Web-site: www.youtube.com/user/lifeinaday). Documentário colaborativo com sequências selecionadas entre 81 mil vídeos enviados via YouTube por pessoas de 192 países. A produção se propõe a servir como uma cápsula do tempo para mostrar a futuras gerações como era se vivia no mundo no dia 24 de julho de 2010. O filme está estrutura a partir das questões: o que você ama? De que você tem medo? O que você carrega no bolso?

Imagem: http://bit.ly/15tCs8D

20/03: Indie Game The Movie (Lisanne Pajot e James Swirsky. EUA, 2012, 96 min. Classificação livre. Web-site:www.indiegamethemovie.com). O documentário dá voz aos desenvolvedores independentes dos videogames, que sacrificam dinheiro e saúde para tornar realidade os seus sonhos. Como no movimento punk, a abordagem faça-você-mesmo caracteriza essa produção feita às margens da grande indústria.

Imagem: http://bit.ly/12oQZ7J

27/03: PressPausePlay (David Dworsky e Victor Kohler. Suécia, 2010, 80 min. Web-site: www.presspauseplay.com). A revolução digital desencadeou um fervor criativo sem precedentes, colocando as oportunidades de produção ao alcance do público. Mas essa cultura democratizada é realmente sinônimo de arte, cinema, música, literatura de qualidade? Ou terminamos afogados em um vasto oceano digital de mediocridade?


Programa Cinema Underground Americano 

Entender a formação da Nova Hollywood, a geração de Coppola, Scorsese e Spielberg, tem de passar necessariamente por cineastas que de alguma forma criaram um foco de resistência ainda na era clássica do cinema americano, caso de Nicholas Ray, ou à beira do cinema moderno, caso de Cassavetes e Fuller. Trazer este cinema à tona novamente é poder traçar os caminhos perigosos que o cinema americano se aventurou até chegar à sua configuração atual.

03/04: Faces (John Cassavetes. EUA, 1968, 103 min. Classificação: 16 anos) –  Filme essencial do um dos mais viscerais diretores americanos, Faces traz à tona os desníveis nos relacionamentos de um produtor cinematográfico.

10/04: O beijo amargo (Naked Kiss, Samuel Fuller. EUA, 1964, 90 min. Classificação: 14 anos) – Fuller sempre foi um outsider de Hollywood, e seus filmes dos anos 60 refletem um clima de contracultura que antecipa toda a nova Hollywood nos anos 70. Em um clima noirO beijo amargo traz à tona as tentativas de uma prostituta de se ajeitar na vida.

17/04: Johnny Guitar (Nicholas Ray. EUA, 1954, 110 min. Classificação: livre) – Ray é outros dos cineastas americanos que desenvolveram problemática relação com Hollywood. Johnny Guitar é um dos seus grandes êxitos, misturando technicolor, lesbianismo e western de uma maneira inimaginável para os anos 50.

Programa Cinema Brasileiro – Anos 70

Já vivendo espécie de “ressaca” do cinema novo, o panorama nacional se enche de rica vitalidade ao divergir suas tendências tanto para formas mais comerciais de comédia erótica (origem da “pornochanchada”) quanto para desdobramentos mais secos do cinema marginal. Além disso, a carnavalização do cinema brasileiro, literal na chanchada, ganha tons fortemente discursivos, com a tendência tropicalista. Os três filmes selecionados flertam com estas possibilidades.

24/04: Os paqueras (Reginaldo Faria. Brasil, 1969, 98 min. Classificação: 16 anos) – Esta simpática comédia de Reginaldo Faria, explorando a beleza de Adriana Prieto, pode ser considerada uma precursora do cinema erótico brasileiro ao retratar desventuras e dilemas morais de dois playboys cariocas.

08/05: Como era gostoso meu francês (Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1970, 83 min. Classificação: 18 anos) – Este filme é a última grande realização de Nelson, e um dos maiores triunfos do cinema tropicalista ao mostrar, com fina ironia, a relação entre um explorador francês e a tribo dos Tupinambás no primeiro Brasil colonial.

15/05: Lílian M: relatório confidencial (Carlos Reichenbach. Brasil, 1975, 120 min. Classificação: 18 anos) – Este fundamental filme de Reichenbach, recentemente restaurado, traz, ao mesmo tempo, vários aspectos do Brasil da baixa modernidade. Ele conta, em tom falsamente documental, a trajetória de libertação sexual e feminina de uma jovem do interior que muda para a cidade de São Paulo.

Programa Cinema Moderno Latinoamericano

A chegada da era moderna no cinema produziu na América Latina manifestações díspares, mas carregadas de pólvora e sentimento revolucionário, na estética e política cinematográficas. Este programa tem por objetivo estudar as raízes destas manifestações, e a maneira com que inovações estéticas trazidas por italianos a franceses acabaram por gerar um cinema absolutamente original em países como Argentina, Cuba e Chile.

22/05: Memórias do subdesenvolvimento (Memórias del subdesarrollo, Tomás Gutiérrez Alea. Cuba, 1968, 97 min. Classificação: livre) – Carregado de acidez e cinismo, este ambíguo filme de Alea mostra as impressões de um burguês obcecado por mulheres a respeito dos acontecimentos que vão atravessando Cuba nos anos 60.

29/05: La hora de los hornos (Fernando Solanas e Octavio Getino. Argentina, 1968, 260 min. Classificação: 16 anos) – Principal filme-manifesto do chamado “terceiro cinema”, este épico do documentário latinoamericano acabou se tornando fundamental para se compreender os movimentos de esquerda na América Latina nos anos 60, assim como as demandas do terceiro mundo.

05/06: El chacal de Nahueltoro (Miguel Littin. Chile, 1969, 95 min. Classificação: 16 anos) – Filme fundamental do cinema moderno chileno, narrado em estilo documental e frio, El chacal de Nahueltoro conta a história de um brutal assassinato e a posterior regeneração do assassino.

Programa Amostra do Cinema Húngaro

De um pioneiro como Jancsó, passando por um cinema mais internacional como o de Szabó, até o prestígio artístico de Béla Tarr, o cinema húngaro vem já há algumas décadas estabelecendo seu local na cinematografia do mundo, e este programa tem como motivação realizar um pequeno panorama, mostrando uma obra-prima de cada um destes mestres, revelando a visão que eles têm do mundo, e que o mundo tem deles.

12/06: Mephisto (István Szabó. Hungria/Alemanha, 1981, 144 min. Classificação: 16 anos) – Obra-prima do mestre Szabó, este filme conta a trajetória de um exímio ator do Fausto de Goethe que se vê cada vez mais encurralado e envolvido pelo regime nazista na Alemanha imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial.

19/06: Damnation (Kárhozat, Béla Tarr. Hungria, 1988, 116 min. Classificação: 14 anos) – Béla Tarr é dono de uma estética arrojada, poderosa, decadente e transcendental. Este filme, uma de suas obras-primas, traz à tona a desolação de um personagem imiscuído em sua paisagem, sendo uma sexy dançarina sua única possibilidade de salvação

26/06: The red and the white (Csillagosok, katonák, Miklós Jancsó. Hungria, 1968, 90 min. Classificação: 16 anos) – Esta obra-prima do cinema húngaro lançou o fabuloso diretor Miklós Jancsó internacionalmente. Encomendada para comemorar o aniversário da Revolução Russa, o filme na verdade enfatiza a brutalidade do conflito, sem tomar lados, e foi proibido durante muitos anos.

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