PROGRAMAÇÃO CINECLUBE IESB TEMPORADA 2012/01 – Apocalipse Parte Um

Sobre cineclubes e o cineclube IESB: A cultura audiovisual é agressivamente impactante na formação das pessoas nos dias de hoje. Uma parte muito grande do que aprendemos em termos de história, geografia, ética e estética vem da cultura audiovisual, seja pelo cinema, pela tv ou pela internet. Porém, não existe ainda uma educação formal em torno disso. As crianças vêem muitos filmes e não lêem quase nenhum livro. No entanto, continuamos tendo aulas regulares de literatura na escola, mas não de cinema. A linguagem audiovisual pode ser bastante complexa e até mesmo capciosa, e é fundamental que as pessoas saibam como “ler” filmes e vídeos. O cineclube IESB está vinculado ao curso de cinema da faculdade, e serve como extensão, para os alunos e para a comunidade cinefílica da cidade, de um entendimento sobre a história do cinema. Exibimos filmes de todos os lugares, todas as épocas e todos os gêneros, tentando promover um material abrangente, cuja qualidade fílmica é sempre o único critério em comum. O cineclube, portanto, tem também esta função: cultivar o próprio cineasta e o cinéfilo, apresentar as diversas formas de cinema produzidas em lugares e épocas diferentes, estimular sua criatividade e mostrar a importância de  conhecer o cinema para se realizá-lo com inovação.

Diretrizes CINECLUBEIESB:

1 – Nosso cineclube é gratuito e aberto a todos!

2 – Nosso cineclube acontece na sala de cinema do IESB, com as confortáveis poltronas que proporcionarão umarespeitável experiência cinematográfica.

3 – Nosso cineclube se passará, neste semestre, nas terças-feiras, a partir dos seguintes conceitos:

Programação de terça – 11h (TÓPICOS ALTERNATIVOS DE CINEMA): a programação da sessão de quinta será voltada para cinemas que se situam fora dos círculos tradicionais de debate, buscando áreas periféricas – mas não menos importantes – que envolvam a produção audiovisual, como o cinema surrealista, a ficção científica, o primeiro cinema, as vanguardas modernas, relações entre o cinema e outras formas de arte, entre outros. O objetivo desta seleção é trazer ao escopo dos debates um olhar criterioso para estas manifestações audiovisuais que são muitas vezes levianamente ignoradas/subestimadas.

4 – Nosso cineclube se localiza na UNIDADE  ASA SUL do IESB. Bloco B, térreo, na SALA DE CINEMA.

5 – Ajude a divulgar nosso cineclube! Passe esse blog adiante e também nos siga no twitter:
@cineclubeiesb
cineclubeiesb@gmail.com
PROGRAMAÇÃO DE TERÇA-FEIRA

Conhecido por seus cineastas de personalidade instável e temperamento prodigioso, o cinema espanhol ganha esplendor nos anos 1970, quando uma série de nomes audaciosos passa a trabalhar a memória subjetiva e a memória da nação a partir de um leque de cores impressionista, culminando no cinema desafiador de Pedro Almodóvar.

13/03: O espírito da colmeia (El espiritu de la colmena, Victor Erice. Espanha, 1973, 97 min. Classificação: 14 anos) – Este é um drama alegórico, de beleza excruciante, uma das grandes realizações dos anos 70. Filme de estreia de um cineasta bissexto, relaciona cinema, infância e guerra através dos olhos nem sempre tão ingênuos de duas crianças encantadores.

20/03: Cria cuervos (Carlos Saura. Espanha, 1976. 110 min. Classificação: 14 anos) – Espécie de filme-irmão para O espírito da colmeia, Cria Cuervos traz também a pequena Ana Torrent protagonizando uma infância complicada em meio à criação de uma tia severa. É o filme que alavancou a carreira do brilhante Saura.

27/03: Maus hábitos (Entre tinebras, Pedro Almodóvar. Espanha, 1983, 107 min. Classificação: 18 anos) – Este infernal filme de Almodóvar é uma síntese perfeita de sua iconoclástica primeira fase cinematográfica: jovem junkie e atormentada busca refúgio em um convento de cuja Madre Superiora não parece menos problemática do que as garotas que lá vão buscar refúgio.

Todo ano os principais festivais internacionais exibem filmes que dificilmente serão lançados comercialmente no Brasil; obras fundamentais para a compreensão dos rumos do cinema. O panorama 2011 tenta inserir o Cineclube IESB nessa agenda que inquieta a critica internacional na cobertura de festivais como Sundance, Berlim, Cannes, Rotterdam, Veneza e Pusan. Selecionamos, assim, filmes que suscitaram debates nesses festivais e que entraram nas listas dos melhores do ano. Como se a cinefilia também tivesse que escavar obras que ainda não foram lançadas. Com o Prof. Pablo Gonçalo.

03/04: Hahaha (2010), de Hang Sang Soo. Coréia do Sul. 14 anos.

Hang Sang Soo é hoje um dos mais aclamados cineastas da Coréia do Sul. Seus filmes são intimistas, focados em diálogos e situações cotidianas, distantes da empolgação tecnológica dos outros filmes coreanos. Ha ha ha  é o seu décimo segundo e o filme venceu a mostra Un certain regard, do Festival de Cannes de 2010. Sua narrativa mistura temáticas queridas ao cineasta coreano: a viagem, os encontros, o acaso, a sedução, as relações triangulares, o álcool.

10/04: Mistérios de Lisboa, (2010), Raul Rouiz. 14 anos.

Mistérios de Lisboa mergulha-nos num turbilhão imparável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos e paixões violentos, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos numa atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil. Nesta Lisboa de intrigas e identidades ocultas encontramos uma série de figuras que dominam o destino de Pedro da Silva,órfão de um colégio interno: padre Dinis que de aristocrata e libertino se converte em justiceiro, uma condessa roída pelo ciúme e sedenta de vingança, um pirata sanguinário tornado próspero homem de negócios; que atravessam a história do séc. XIX e a procura de identidade do nosso personagem. É o último filme de Raul Rouiz, que morreu em 2011.

17/04: Hors-Satan (2011), de Bruno Dumont. França. 18 anos.
Junto com Claire Denis e Olivier Assayas, Bruno Dumont é hoje um dos cineastas franceses que mais tem chamado a atenção da cinefilia. Seus filmes retratam o niilismo da juventude francesa da periferia ou de cidades do interior. Em Hors-Satan narra as perambulações de um grupo de marginais, anônimo, e exorcizam seus demônios assombrando a população local. O filme foi selecionado e exibido no Festival de Cannes.

Apesar dos esforços de artistas como Emile Cohl e O’Galop, a produção norte-americana invade a França com produções como Mutt and Jeff e também com os filmes da Disney. Foi preciso esperar até 1945 para ver surgir um cinema de animação francês, pois antes ele limitava-se a sobreviver. A falta de estruturas para se fazer animação leva muitos realizadores a produzir de maneira artesanal e isolada. O que se sobressai disso é a grande qualidade visual, e o que surpreende é o tom, o grafismo e o ritmo lento.“Kirikou e a Princesa” de Michel Ocelot (2000) e “As Bicibletas de Belleville” de Sylvain Chomet (2003), alcançam um reconhecimento internacional, e mantem esse aspecto artesanal, produzido com competência e criatividade. O sucesso das produções resulta da competência dos animadores e técnicos formados em escolas cada vez mais reconhecidas internacionalmente (Gobelins, Supinfocom), aliado ao fato dos produtores não hesitarem em investir em projetos não tradicionais, aproveitando o “french touch” internacionalmente reconhecido. Este módulo contará, nos debates, com a participação do Prof. de animação e edição cinematográfica Fernando Gutièrrez, seu curador.

24/04: O mágico (Le magician, Sylvain Chomet. França, 2010, 80 min. Classificação: livre) – Este encantador filme de Chomet concorreu ao Oscar de animação e traz bela homenagem ao clássico cineasta chapliniano Jacques Tati, numa animação sutil e econômica.

08/05: Azur e Asmar  (Azur et Asmar, Michel Ocelot. França, 2006, 99 min.. Classificação: livre) – Num Magreb medieval, dois garotos de etnias e origens sociais diferentes seguem seus caminhos em busca da Fada Djinn, em um primor de animação dirigida por Michel Ocelot.

15/05:  Uma cidade chamada pânico (Panique au village, Stéphane Aubier, Vincent Patar. Bélgica, 2009, 75 min. Classificação: livre) – Brinquedos loucos, mundos paralelos e histórias de amor se cruzam nesta alucinada animação de papel marchê.

O que pode ser considerado uma obra-prima? Esta pequena seleção procura responder a esta questão sem que seja necessária uma conceituação acadêmica: os três filmes, em suas matrizes profundamente impactantes, nos convencem com força autônoma e essencialmente cinematográfica sem precisarem, necessariamente, pertencer ao cânone ordinário do cinema.

22/05: A hora do lobo (Vargtimmen, Ingmar Bergman. Suécia, 1968, 84 min. Classificação: 16 anos) – Não tão celebrado quanto outras de suas obras-primas, este clássico de Bergman assusta pela radicalidade com que o diretor utiliza o tom sombrio ao contar uma perversa história de loucura envolvendo um pintor e sua esposa.

29/05: O boulevard do crime (Les enfants du paradis, Marcel Carné. França, 1945, 163 min. Classificação: livre) – A obra máxima de Carné é ao mesmo tempo uma epopeia íntima, narrando um improvável triângulo amoroso, em um dos mais belos retratos da França dos anos 40.

05/06: Soy Cuba (Mikhail Kalatozov. Rússia/Cuba, 1964, 141 min. Classificação: 14 anos) – Um dos filmes mais ambiciosos e exuberantes da história, Soy Cuba foi uma realização desprezada por anos graças aos excessos de Kalatozov, mas hoje é reconhecido graças à importância da visão mostrada sobre a Cuba pré-revolucionária, entre o documento e a poesia.

As questões relacionadas à cultura da homoafetividade, mais do que tópicos marginais na cultura audiovisuais, se tornaram todo um grande campo de estudos envolvendo tópicos como gênero, comportamento e mundo pós-colonial. Como se pode ver já na sugestão de lesbianismo proposta por Pabst em A caixa de Pandora, elas estão longe de ser recentes no cinema, e este programa procura debate este assunto a partir de três matrizes muito distintas.

12/06: Querelle (Reiner Werner Fassbinder. França/Alemanha, 1982, 108 min. Classificação: 18 anos) – Último e controverso filme do iconoclástico Fassbinder, Querelle é baseado em peça de Jean Genet e conta a história de um marinheiro francês e sua jornada íntima em um bordel.

19/06: Deuses e monstros (Gods and monsters, Bill Condon. EUA, 1998, 95 min. Classificação: 16 anos) – Este belo (e injustamente esquecido) filme americano traz grande atuação de Ian McKellen como o diretor do Frankenstein clássico, James Whale, que, já velho, nutre paixão por seu jardineiro, um ainda jovem Brandon Fraser.


Aproveitando o sucesso de filme vencedor do Oscar O artista, um programa com uma seleção de filmes silenciosos não tão canônicos. Em primeiro lugar, a versão restaurada, muito rara, que recupera stills e imagens filmadas do filme perdido de Stroheim, Ouro e Maldição. Depois, homenagem a Douglas Fairbanks com O ladrão de Bagdá.

26/06: Ouro e maldição (Greed, Erich von Stroheim. EUA, 1924, 240 min. Classificação: livre) – Este filme, laureado como incomparável obra-prima do cinema americano nos anos 20, foi retalhado por sua produção, o que provocou a ira de seu diretor, o grande Stroheim. Vamos exibi-lo na versão reconstituída, com filme e fotos, de 4 horas de duração, com intervalo. Legendas em inglês.

03/07: O ladrão de Bagdá (The thieve of Bagdad, Raoul Walsh. EUA, 1924, 155 min. Classificação: livre) – Também de 1924, esta versão de Walsh, com o acrobático Fairbanks, se tornou um dos mais espetaculares feitos do cinema silencioso. Efeitos especiais incríveis e muito carisma pontuam esta epopeia baseada n’As mil e uma noites.

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