NUEVA TEMPORADA – CINECLUBEIESB

A cultura audiovisual é agressivamente impactante na formação das pessoas nos dias de hoje. Uma parte muito grande do que aprendemos em termos de história, geografia, ética e estética vem da cultura audiovisual, seja pelo cinema, pela tv ou pela internet. Porém, não existe ainda uma educação formal em torno disso. As crianças vêem muitos filmes e não lêem quase nenhum livro. No entanto, continuamos tendo aulas regulares de literatura na escola, mas não de cinema. A linguagem audiovisual pode ser bastante complexa e até mesmo capciosa, e é fundamental que as pessoas saibam como “ler” filmes e vídeos. O cineclube IESB está vinculado ao curso de cinema da faculdade, e serve como extensão, para os alunos e para a comunidade cinefílica da cidade, de um entendimento sobre a história do cinema. Exibimos filmes de todos os lugares, todas as épocas e todos os gêneros, tentando promover um material abrangente, cuja qualidade fílmica é sempre o único critério em comum. O cineclube, portanto, tem também esta função: cultivar o próprio cineasta e o cinéfilo, apresentar as diversas formas de cinema produzidas em lugares e épocas diferentes, estimular sua criatividade e mostrar a importância de conhecer o cinema para se realizá-lo com inovação.

Diretrizes CINECLUBEIESB
1 – Nosso cineclube é gratuito e aberto a todos!
2 – Nosso cineclube acontece na sala de cinema do IESB, com as confortáveis poltronas que proporcionarão uma respeitável experiência cinematográfica.
3 – Nosso cineclube possui programas bastante diversos entre si, a partir do seguinte conceito:

Programação de quinta

TÓPICOS ALTERNATIVOS DE CINEMA

Cinemas que se situam fora dos círculos tradicionais de debate, buscando áreas periféricas – mas não menos importantes – que envolvam a produção audiovisual, como o cinema surrealista, a ficção científica, o primeiro cinema, as vanguardas modernas, relações entre o cinema e outras formas de arte, entre outros. O objetivo desta seleção é trazer ao escopo dos debates um olhar criterioso para estas manifestações audiovisuais que são muitas vezes levianamente ignoradas/subestimadas. Além disso, tópicos canônicos ou tradicionais esquecidos ou fora de moda também são de nosso interesse.
4 – Nossas sessões com freqüência contam com especialistas convidados para debater o filme com os convivas presentes. A apresentação é filmada e serão postados sempre vídeos com o melhor desses debates. Entre nossos convidados incluem-se pesquisadores, cineastas, cinéfilos, críticos, jornalistas, etc.
5 – Nosso cineclube se localiza na UNIDADE ASA SUL do IESB. Bloco B, térreo, na SALA DE CINEMA.
6 – Ajude a divulgar nosso cineclube! Passe esse blog adiante e também nos siga no twitter: http://twitter.com/cineclubeiesb

Historicamente associa-se a origem do “blockbuster” à reinvenção de Hollywood dos anos 70, com o filme “Tubarão”, de Spielberg. É possível traçar, porém, uma linhagem mais antiga para estes filmes de orçamentos altos, muitos efeitos especiais, campanhas
massivas de lançamento e marketing estendido. O que significa, para a indústria, para o imaginário coletivo, para o cinema e para a cultura mundial o filme blockbuster? Examinaremos, para procurar compreender estes fatores, um dos primeiros fenômenos a se associar a este modelo, King Kong (1933), assim como o grande detonador de sua cultura Guerra nas estrelas (1977) e o filme que iniciou a nova era de blockbusters de super-heróis, Batman (1989).

11/08: King Kong (Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack. EUA, 1933, 100 min. Classificação: livre)

O King Kong original tem o mérito de trazer toda a cultura pulp dos romances de ficção científica de banca para uma incrível e até hoje lendária e imbatível versão da famosa aventura colonialista, responsável pela eterna saúde do “filme de monstro”.

18/08: Guerra nas estrelas (Star wars, George Lucas. EUA, 1977, 121 min. Classificação: livre)  

A saga intergaláctica que mistura fantasia, ficção científica e nostalgia, inaugurando o império de Lucas, tem suas origens em filmes de capa e espadas e filmes de samurai, e funda sólida associação do cinema com o merchandising, criando o blockbuster moderno.

25/08: Batman (Tim Burton. EUA, 1989, 126 min. Classificação: 13 anos)

Muito diferente da versão hiper-realista de Cristopher Nolan, o Batman de Tim Burton, também com elenco cheio de estrelas, é efetivamente gótico, propositadamente lúdico e quase indefectivelmente cômico.

Os alemães precisaram fazer um manifesto do cinema independente no final dos anos 60 para reivindicar que sua importante tradição de cinema tivesse continuidade na modernidade. O resultado foi uma cinematografia avançada, altamente problematizadora, que sofisticou os conceitos de road movie, autobiografia e tempo cinematográfico. Cineastas como Fassbinder, Herzog, Kluge e Wenders provaram-se largamente influentes para o cinema contemporâneo. Esta pequena mostra exibe dois filmes importantes desta cinematografia.

01/09: Alice das cidades (Alice in den Städten, Wim Wenders. Alemanha, 1974, 110 min. Classificação: 16 anos)

Segundo filme dirigido pelo célebre Wenders, esta pérola do cinema alemão inicia importante tradição sobre a filmagem em trânsito, a autorreflexão do escritor e traz bela história de amizade entre um homem em uma menina.

08/09: O medo devora a alma (Angst Essen Auf, Reiner Werner Fassbinder. Alemanha, 1974, 90 min. Classificação: 16 anos)

Livremente inspirado no cinema clássico de Douglas Sirk, este filme reune tudo aquilo que Fassbinder pensava sobre a sociedade de seu tempo: moderna e cínica, inter-racial, preconceituosa e perversa. Conta a história do estranho relacionamento entre um homem árabe e uma velha senhora alemã na Berlim dividida.

A associação entre cinema e política, mesmo quando indireta, é evidentemente sempre presente, mas houve momentos na história em que os cineastas precisaram ir além de metáforas e partir para um combate mais frontal. Na Rússia dos anos 20, o cinema foi usado como instrumento para consolidação da revolução. Não por acaso, outro período de importantes transformações sociais, os anos 60, viram nascer, especialmente em países de complicada conturbação política (como a Polônia e a Grécia), um cinema de feição mais ativista. Os três filmes deste programa atravessam quase 20 anos de intenso ativismo cinematográfico.

15/09: Cinzas e diamantes (Popiól i Diament, Andrzej Wajda. Polônia, 1959, 105 min. Classificação: 16 anos)

A obra-prima de Wajda é ainda um dos filmes mais poderosos sobre a inconsistência política dos regimes de guerra, mostrando um ex-combatente da Segunda Guerra que precisa caçar seus ex-aliados.

22/09: Z (Costa-Gavras. Algeria, 1969, 125 min. Classificação: 16 anos)

Z se passa numa local inominado, mas suas implicações são bem reais. Filme mais famoso de Costa-Gavras, conta a trajetória de um grupo libertário em meio a uma série de atentados.

29/09: Le fond de l’air est rouge (Chris Marker. França, 1977, 177 min. Classificação: 16 anos)

Sem filmar uma tomada sequer, Marker criou uma obra-prima do documentário ao produzir, com imagens de arquivo, uma monumental reflexão sobre a modernidade a partir de um de seus momentos cruciais: a guerra do Vietnã.

O cinema musical, hoje considerado bastante anacrônico, é parte importante da história estética e da indústria do cinema em geral. Desde o forte interesse na musicalidade a partir do advento do som (cinema dos anos 30) até uma reinvenção problematizadora do gênero como Cabaret, o musical atravessou várias décadas como uma expressão legitimadora do cinema. Este programa inclui um triunfo da Hollywood clássica, uma releitura a partir da nouvelle vague, e um musical de matriz política.

06/10: Sinfonia de Paris (An American in Paris, Vincent Minelli. EUA, 1951, 113 min. Classificação: livre)

Sendo um dos mais populares e refinados musicais da Hollywood clássica, Sinfonia de Paris traz algumas das mais incríveis cenas coreografadas com Gene Kelly, sob impecável direção de Minelli. Conta a romântica história de um pintor americano que busca tentar a vida em Paris.

13/10: Os guarda-chuvas do amor (Les Parapluies de Cherbourg, Jacques Demy. França, 1964, 87 min. Classificação: 12 anos)

Esta charmosa comédia de Jacques Demy traz acento francês, a partir da leveza da nouvelle vague, ao gênero musical, colocando uma linda Catherine Deneuve em espinhoso conflito amoroso.

20/10: Cabaret (Bob Fosse. EUA, 1972, 124 min. Classificação: 16 anos)

Vencedor de retumbantes 8 Oscar, Cabaret é o mais importante filme da carreira de Liza Minelli, e retorna à Berlim dos anos 30 para explorar as contradições entre aquela sociedade e a influência do nazismo.

O que pode ser considerado uma obra-prima? Esta pequena seleção procura responder a esta questão sem que seja necessária uma conceituação acadêmica: são mais três filmes, em suas matrizes profundamente impactantes, nos convencem com força autônoma e essencialmente cinematográfica sem precisarem, necessariamente, pertencer ao cânone mais conhecido do cinema.

27/10: Terra (Zemlya, Aleksander Dovzhenko. Ucrânia, 1930, 101 min. Classificação: 12 anos)

Um dos mais belos filmes de todos os tempos, Terra traz a revolução russa do ponto de vista do ambiente agrário, num misto de tomadas hipnóticas e transcendentais e montagem dinâmica que claramente influenciariam o cineasta Andrei Tarkovsky.

03/11: O ano passado em Marienbad (Année dernière à Marienbad, Alain Resnais. França, 1961, 94 min. Classificação: 16 anos)

O fundamental filme de Resnais e Marguerite Duras é um dos pilares do cinema moderno e até hoje impacta em sua revisão impressionista da memória e linda construção barroca do cinema.

17/11: Cinzas no paraíso (Days of heaven, Terrence Malick. EUA, 1978, 95 min. Classificação: 12 anos)

Esta obra-prima continua sendo o filme fundamental de Malick, último vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Seu cinema contemplativo em tudo difere da tradição americana, e aqui ele explora as paisagens do deep south americano para contar uma estranha história de amor.

Já vivendo espécie de “ressaca” do cinema novo, o panorama nacional se enche de rica vitalidade ao divergir suas tendências tanto para formas mais comerciais de comédia erótica (origem da “pornochanchada”) quanto para desdobramentos mais secos do cinema marginal. Além disso, a carnavalização do cinema brasileiro, literal na chanchada, ganha tons fortemente discursivos, com a tendência tropicalista. Os três filmes selecionados flertam com estas possibilidades.

24/11: Os paqueras (Reginaldo Faria. Brasil, 1969, 98 min. Classificação: 16 anos)

Esta simpática comédia de Reginaldo Faria, explorando a beleza de Adriana Prieto, pode ser considerada uma precursora do cinema erótico brasileiro ao retratar desventuras e dilemas morais de dois playboys cariocas.

01/12: Como era gostoso meu francês (Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1970, 83 min. Classificação: 18 anos)

Este filme é a última grande realização de Nelson, e um dos maiores triunfos do cinema tropicalista ao mostrar, com fina ironia, a relação entre um explorador francês e a tribo dos Tupinambás no primeiro Brasil colonial.

08/12: Lílian M: relatório confidencial (Carlos Reichenbach. Brasil, 1975, 120 min. Classificação: 18 anos)

Este fundamental filme de Reichenbach, recentemente restaurado, traz, ao mesmo tempo, vários aspectos do Brasil da baixa modernidade. Ele conta, em tom falsamente documental, a trajetória de libertação sexual e feminina de uma jovem do interior que muda para a cidade de São Paulo.

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