Nova temporada do Cineclube


TÓPICOS ALTERNATIVOS DE CINEMA

Cinemas que se situam fora dos círculos tradicionais de debate, buscando áreas periféricas – mas não menos importantes – que envolvam a produção audiovisual, como o cinema surrealista, a ficção científica, o primeiro cinema, as vanguardas modernas, relações entre o cinema e outras formas de arte, entre outros. O objetivo desta seleção é trazer ao escopo dos debates um olhar criterioso para estas manifestações audiovisuais que são muitas vezes levianamente ignoradas/subestimadas. Além disso, tópicos canônicos ou tradicionais esquecidos ou fora de moda também são de nosso interesse.

Como o próprio cinema está ligado a um universo de virtualidade como um dos mais poderosos dispositivos de projeção que a modernidade soergueu, é natural que tenha tratado sobre as camadas de projeção tecnológica que foram se desenvolvendo no final do século XX. Atualmente, o crescimento da virtualidade, tanto por meio da tecnologia digital, quanto pelo desenvolvimento de réplicas e modelos de todos os tipos de conceitos e comportamentos humanos, o tema saiu de uma esfera teórica e se tornou parte fundamental da vida, e o cinema se propõe a realizar esta interface.

16/03: Tron (Steven Lisbeger. EUA, 1982, 96 min. Classificação: livre) Este filme, mesmo se visto hoje como um produto ingênuo e datado, continua sendo um dos momentos-chave no cinema em que a imaginação feérica e infantil toma contato com as possibilidades da virtualidade tecnológica. Verdadeiro clássico.

23/03: Existenz (David Cronenberg. Canadá, 1999, 97 min. Classificação: 16 anos) O estranho cinema de David Cronenberg encontra espaço para abordar os limitesda virtualidade através de um trama tech-noir futurista que se passa dentro de umvideogame de emulação da realidade. Com Jude Law.


30/03: Sleep Dealer (Alex Rivera. Mexico, 2008, 90 min. Classificação: 16 anos. Legendas em inglês) Sleep Dealer é uma surpreendente produção mexicana que anuncia um futuro não tão distante em que a imersão em universos de virtualidade e os registros das memórias são itens de barganha em um mundo de fronteiras fechadas e exércitos privatizados.

Dando seqüência à nossa série que revista as importantes escolas estéticas e políticas que transformaram o cinema a partir do final dos anos 50, revisitamos filmes emblemáticos que potencializam por via de uma anárquica, cética e/ou inflexiva visão sobre a urbanidade que grandes cineastas, como Ruy Guerra, Person e Khouri, realizaram sobre o Brasil.

06/04: São Paulo S/A (Luis Sérgio Person. Brasil, 1965, 111 min. Classificação: 16 anos)
Filme fundamental da cultura paulistana e uma das obras maiores do cinema nacional, este clássico de Person ainda sustenta seu arrojo formal e instigante percepção moral ao retratar a deterioração de um carreira profissional e de um mundo familiar nacrescente São Paulo dos anos 60.

13/04: Os Cafajestes (Ruy Guerra. Brasil, 1962, 100 min. Classificação: 18 anos)
O primeiro longa de Ruy Guerra é um filme importante para uma renovação do cinema brasileiro, tanto pelo lado do cinema novo quanto do marginal. Jece Valadão e Norma Benguell estrelam esta obra godardiana de trambiques e fraudes no Rio de Janeiro.

20/04: Noite Vazia (Walter Hugo Khouri. Brasil, 1964, 98 min. Classificação: 16 anos)
O interior de um quarto em uma noite de excessos paulistana em Noite Vazia demorou um pouco para ser reconhecido como obra de grande qualidade artística, mas hojepodemos lê-la como um antecipador original e reflexivo do modo urbano que o Brasil adotaria na modernidade.

O faroeste nasceu com o próprio cinema, e o fascínio pelo passado de construção eavanço sobre o território americano foi fundamental para a criação de Hollywood eda indústria cinematográfica. Durante décadas foi um terreno seguro de popularidadeno cinema americano, e hoje em dia ostenta o status de gênero fundamental para acompreensão da trajetória da sétima arte. Os três modelos aqui apresentados incluem oauge do clássico (Ford), o superwestern (Mann) e um esfacelamento moral em direçãoao moderno (Brooks).

27/04: Paixão dos Fortes (My darling Clementine, John Ford. EUA, 1946, 97 min.Classificação: livre)
Este faroeste é uma das obras-primas do maior mestre do gênero,John Ford, e traz, entre muitos méritos, a melhor versão sobre a história de Wyatt Earp eDoc Holliday, com histórica atuação de Henry Fonda.

04/05: O Homem do Oeste (The man of the west, Anthony Mann. EUA, 1958, 100min. Classificação: livre)
Elogiado por André Bazin, este último faroeste de ummestre ainda não tão conhecido traz Gary Cooper em uma última missão, sendo aomesmo tempo uma metonímia do fenômeno do faroeste como um todo e um sinal deseu decaimento.

11/05: Os Profissionais (The professionals, Richard Brooks. EUA, 1966, 117min. Classificação: 16 anos)
Lee Marvin, Burt Lancaster, Jack Palance e ClaudiaCardinale estrelam este western hard-boiled e tardio, onde os vilões parecem ser menossanguinários que os heróis, indicando uma completa reversão dos valores ideais dofaroeste original. Uma verdadeira pérola um tanto esquecida.
Voltado à alta elaboração do cinema africano francófono, este programa privilegia filmes consagrados em festivais internacionais, que trazem à tona visões (às vezes polêmicas) desconhecidas, pelos ocidentais, sobre o continente africano. Finyé, domalinês Cissé, revela o ambíguo poder do questionamento social, enquanto Tilaï, de Quadraogo, aborda um problema cultural inserido em uma cultura tribal, de difícil compreensibilidade para os ocidentais, que comumente enxergam o filme com exotismo.

18/05: Finyé – O Vento (Finyé, Souleymane Cissé. França/Mali, 1982, 105 min. Classificação: 12 anos) O malinês Souleymane Cissé ganhou notoriedade mundial apartir de Finyé, no qual narra, em seu país de origem, a história de dois adolescentes de diferentes classes sociais insatisfeitos com a sociedade. Tendo chegado a ser preso pelas autoridades locais pelo teor subversivo de seus filmes, Cissé já venceu o prêmio do júrino festival de Cannes e é um dos mais respeitados diretores africanos.
25/05: Tilaï (Idrissa Quedraogo. França/Burkina Faso, 1990, 81 min. Classificação: 12 anos) Quedraogo é um dos mais célebres diretores africanos. Sua trajetória internacional ganha notoriedade justamente com Tilaï (“a lei”), em que conta a história, em umapequena aldeia, de um rapaz que transgride os tabus do casamento local e vai viver com sua amada, refugiados. Conhecido por retratar uma visão peculiar e desconhecida daÁfrica, Tilaï venceu o prêmio especial do júri de Cannes em 1990.
O que pode ser considerado uma obra-prima? Esta pequena seleção procura responder a esta questão sem que seja necessária uma conceituação acadêmica: são mais três filmes, em suas matrizes profundamente impactantes, nos convencem com força autônoma eessencialmente cinematográfica sem precisarem, necessariamente, pertencer ao cânone mais conhecido do cinema.

01/06: A Grande Ilusão (La grande illusion, Jean Renoir. França, 1937, 111 min. Classificação: 16 anos)
Este filme de Renoir, com estupendas atuações de Jean Gabine Erich von Stroheim, representa o auge do cinema clássico francês, elaborando umareflexão sobre os limites da ética na primeira guerra mundial ainda não superada.

08/06: Dias de Ira (Vrendens dag, Carl T. Dreyer. Dinamarca, 1943, 97 min. Classificação: 16 anos)
Dreyer é um dos mestres absolutos do cinema, e sua obra estende influência a nomes como Bergman e Lars von Trier. Dias de ira é uma macabra e metafísica visão sobre o universo da bruxaria na Dinamarca pós-medieval. Ainda um dos filmes mais assombrosos da história do cinema.

15/06: Contos da Lua Vaga (Ugetsu monogatari, Kenji Mizoguchi. Japão, 1953,96 min. Classificação: livre)
Mizoguchi venceu com este filme o Leão de Prata em Venezes em 1953, e desde então o culto a Contos da lua vaga só cresce na medida emque esta feérica história do folclore japonês passa a ser reconhecida como insuperável e imortal.
O wuxia, gênero que ganhou maturidade e popularidade nos cinemas de Taiwan e Hong-Kong a partir dos anos 60, consiste em filmes de aventura passados na China imperial envolvendo heróis especialistas em lutas marciais. Como o faroeste no EUA ou o jidaigeki no Japão, este gênero ajudou a construir uma mitologia histórica para os povos da Ásia através da cultura popular, e se espalhou pelo mundo até chegar a influenciar cineastas como Quentin Tarantino ou Zhang Yimou.

23/06: Dragon Gate Inn (King Hu. Taiwan, 1967, 200 min. Classificação: livre. Legendas em inglês)
King Hu é um dos mestres imortais do wuxia, e este épico sobre duas famílias que entram em conflito no famoso Dragon Inn possui todas as características que fundamentam o gênero antes de sua diluição: heroísmo idealista, ótimas lutas e um excelente e preciso cenário na China imperial.

29/06: Master of the Flying Guillotine (Du Bei Quan Wang Da Po Xie Di Zi, JimmyWang Yu. Hong Kong, 1973, 83 min. Classificação: livre)
Bem menos elegante elírico que Dragon gate inn, este filme já faz parte de uma exploração comercial do conceito do wuxia, mas ao tempo tempo não deixa de ser empolgante com seu jeitão trash, com lutadores de um braço só e golpes decapitantes. Inspirou o game Street Fighter.
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