#Crítica! Crítica! Crítica! 07/12 Mostra Competitiva

“Obama Digital” – Marília Beatriz Weissman

O encolhimento do mundo e a compressão tempo/espaço são fenômenos típicos da modernidade, levados ao paroxismo com o advento da internet e sua diversas interfaces, às quais permitem aos sujeitos contemporâneos, experimentar, como nunca, a virtualidade. É toda uma cultura digital a transformar o modo como consumimos, nos relacionamos,  obtemos conhecimento… e elegemos um político!

Esse documentário aborda o decisivo papel das mídias digitais no último processo eleitoral americano e como Obama soube, como ninguém, tirar partido de tais instrumentos, principalmente do twitter, da segmentação de e-mails e da exploração de nichos sociais.

O largo uso de uma trilha sonora percussiva e a montagem em ritmo de clip, nos momentos em que se intercalam imagens de campanha, de sites e de algumas animações, contribuíram para conferir agilidade à narrativa, que, por outro lado, se revela um pouco longa e convencional.  Mas nada disso chega a comprometer Obama Digital – um tutorial sobre esse admirável mundo novo.

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

“Pernambuco você é meu” – Brenno Luiz Riberio da Costa

Esse documentário narra de forma sucinta a trajetória de uma figura ímpar no cenário cultural pernambucano: Aldemar Paiva, radialista, compositor e jornalista. O grande trunfo do filme se concentra em certos depoimentos impagáveis, como o de Chico Anísio e de certos radialistas, que revelam o caráter picaresco de Aldemar. Inserções de performances em shows também contribuem para um retrato mais interessante de Aldemar, que talvez merecesse uma abordagem menos convencional.

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

“Próxima distância” – Mateus Oliveria Araújo

O filme possui uma clara influência de Alejandro Iñarritu, no que tange à exploração do entrecruzamento de personagens e à articulação entre tramas paralelas. Talvez, por isso, o uso de um intertítulo revelou-se por demais explicativo, uma vez que   denunciou o jogo de interações em que se baseia a narrativa.

A pouca profundidade de campo, na maior parte do tempo, decerto foi um interessante recurso narrativo, pois dirige nosso olhar para o primeiro plano, como se não houvesse horizontes para aqueles personagens. Tal desfoque dialoga com o caráter claustrofóbico dos cenários, que se apresentam distorcidos ou em oblíquos enquadramentos, acentuando a sensação de mal-estar, de desesperança que emanaria dos personagens. Aliado a isso, o bom uso da montagem paralela conferiu ritmo ao filme.

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

“Rua mão única” – André Gevaerd

Personagem onipresente ao longo do filme, os muros seriam o quê: projeções simbólicas de clivagens sociais, bunkers, trincheiras? Gerariam segurança ou opressão?

Conforme explica, a certa altura, um personagem: “o que iguala a gente (os que estão à margem) com os outros caras (seguranças, policiais) é o muro!”, o que explicaria o título.             Os personagens, fardados ou não, volta e meia, quebram a diegese, ao interpelarem a câmera, destilando seu rosário de infortúnios, relacionados, o mais das vezes, aos eternos males sociais: miséria, desemprego etc.

Há certos enquadramentos que permitem vislumbrar o horizonte, o azul, mas esse é sempre emoldurado pelo cinza, pelos muros, que aprisionam e delimitam territórios. Assim, os muros são integrados, organicamente, à narrativa, sejam como superfícies para os créditos pichados, sejam para compor cenários, tornando-se um cúmplice de existências cinzas.

Se um rap demarca o início do filme, nada como uma música de western, para um desfecho mais-que-perfeito: touché!!!!

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

“E-love” – Miguel Plopschi

Filme que se pretendia abordar o universo das novas formas de sociabilidade, no mundo contemporâneo, o realizador optou por um formato um tanto quanto novelístico, com clara ênfase na dramaturgia. Com ares de comédia romântica, E-love comete alguns clichês do gênero, tal como o recurso do desfoque para denotar reminiscências, emoldurado por uma trilha sonora algo melodramática.

Em virtude de as atuações soarem um pouco inconvincentes, o resultado final ficou prejudicado. Uma pena, pois o protagonista, acometido de timidez patológica, renderia, no mínimo, momentos impagáveis numa comédia involuntária. Mas só ficou na promessa.

“Confinado” – Rafael Santos de Gusmão Lobo

Um escritor se impõe um auto-exílio no intuito de escrever uma obra que justificaria sua existência. Com tal argumento, Confinado nos conduz em uma surpreendente narrativa, com direito a citações literárias e cinematográficas.

Preliminarmente, destaque-se a atuação precisa de João Campos, que transita com desenvoltura entre o trágico e o cômico, imprimindo densidade ao personagem. Com largo uso de voice over, o tom pitoresco que domina o filme é alternado com o caráter sombrio que, paulatinamente, abarca a trama. Sem dúvida a bela fotografia, aí, desempenhou papel decisivo na elaboração de tais climas.

Conforme observou o diretor Gabriel Ramos, a sequência-título é uma homenagem ao filme Seven, assim como o recurso da câmera acoplada ao ator, a certa altura do filme, seria uma possível citação de Scorsese em Street Scenes. Aliás, citações literárias também pontuariam o curta, mas nunca de forma gratuita. Basta reparar na cena da barata e na lógica de pesadelo, absurda e delirante do protagonista, alusivas à Kafka.

A atriz Queren Hapuque mencionou, da mesma forma, o ritmo ágil da montagem, o grafismo que impregna a violência e o clima algo trash do filme como tarantinescas.

Imprevisível e equilibrando inteligentemente os gêneros, só resta uma pergunta: onde conseguir uma cópia?

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre
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