#Crítica – 06/12 II Festival de Cinema do IESB

“Felizes para sempre” – Ricky Mastro

Documentário despretensioso em seu formato, o curta aborda um tema de impacto social: o lesbianismo entre duas mulheres mais velhas. Com uma fotografia em tons escuros e a utilização de planos fechados, a narrativa se vale, tão-somente, do depoimento de duas mulheres, prescindindo de um recurso bastante usual em documentários: a inserção de falas de especialistas ou autoridades sobre o tema. A proposital exclusão de tal fator, que seria uma espécie de legitimação de uma experiência, revela menos a busca de uma explicação sociológica ou psicológica que o mero registro de uma realidade demasiadamente humana. Simples assim.

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

“Sofá Verde” – Lucas Cassales e Arno Schuh

Eis um curioso exemplo de um curta, cuja estrutura evoca a dinâmica de um filme do primeiro cinema. Temos a câmera estática, a captar distante, o périplo de dois personagens que, ao se deslocarem, em larga medida, pelas laterais (sensação de platitude), o fazem sem apelar para o discurso verbal, explorando certas gags visuais. É uma espécie de filme de perseguição em que não há perseguidores, à exceção dos espectadores, que testemunham  os personagens na superação de certos obstáculos, até o momento em que, enfim, alcançam seu pitoresco destino. Vale notar que o som, aqui, é utilizado como um personagem que acentua o caráter cômico da narrativa, como o provam o discurso inflamado da moça no início do filme e o próprio desfecho. Interessante!

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

“Enxergando o invisível” – Patrícia Banuth

Filmes para cegos ou deficientes visuais? Tal expressão pode causar, no mínimo, estranheza a quem nunca ouviu falar da audiodescrição em cinema, recurso que permite a tradução verbal de cenários e aspectos visuais dos filmes, o que propicia levar a experiência da sétima arte a todo um segmento da população portadora daquela deficiência. Afinal, se a audiodescrição já é utilizada em obras literárias, por que excluir o cinema?

Nessa perspectiva, nada mais apropriado a esse documentário que converter o próprio curta em um exemplo daquilo que tematiza, isto é, assumi-lo como um exercício de metalinguística. Assim, todo o filme é audiodescrito, até mesmo como uma oportunidade para experimentá-lo do ponto de vista de um deficiente visual, ou seja, com os olhos cerrados, a fim de termos uma idéia do funcionamento desse recurso. Lembrou-me um pouco da magia das rádio-novelas, em que estamos todos imersos no escuro, na dependência de palavras e de efeitos sonoros, como condição de vôo da imaginação. Criativo na abordagem, eis um filme que eu recomendaria a todos assistir… de olhos bem fechados!

Por Marconi Araújo
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 4º semestre

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