O Encerramento do FBCB – Sem tonterias

Premiação do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro Noite agradável no Cine Brasília. Cineastas e equipes, produtores, agentes culturais, imprensa, convidados, todos compareceram para a premiação do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A praça de alimentação do Festival foi palco de várias confraternizações. Com um leve atraso as portas se abriram e aos poucos a sala encheu. Mais alguns minutos de espera até os anfitriões Sergio Fidalgo e Marta Benévolo se apresentarem e darem início à cerimônia. Antes das premiações foi exibido o filme de Ruy Guerra, Os Deuses e os Mortos, em versão restaurada. O filme é um longa do período do cinema novo brasileiro, vencedor de 7 Candangos (incluindo melhor filme) e que foi “esquecido” durante todos esses anos.

Com o término do filme, enfim a hora mais aguardada chegou. Clima de muita ansiedade na sala de cinema. Começamos pelo prêmio da ABCV dado a um profissional do meio audiovisual que deu enorme contribuição para o desenvolvimento do cinema brasiliense. O vencedor foi o ator Andrade Jr., que já participou em mais de 50 produções, e que nesse festival esteve presente em filmes como: Ratão, O Filho do Vizinho, KCrisis e O Egresso. Andrade Jr. foi muito aplaudido pelo público. Em seguida foi entregue o Prêmio Vagalume (conferido por integrantes do Cinema para Cegos) e logo após o Prêmio da Crítica. Neste prêmio, durante a premiação do filme Ratão como vencedor do prêmio de curta em 35mm, João Paulo Procópio (presidente da ABCV) fez um discurso pela permanência de Juca Ferreira no Ministério da Cultura. Discurso apoiado por Vladimir Carvalho (grande figura do cinema brasiliense), durante a premiação conferida pelo Cinememória ao Melhor Documentário do Festival conquistado por Zé(s). Outros prêmios foram entregues antes dos principais.

Finalmente, as premiações mais aguardadas chegaram. Começando pela Mostra Competitiva Digital. Melhor montagem vai para Alberto Feoli, por Traz um Outro Amigo Também. Frederico Cabral, diretor do filme, sobe ao palco, agradece o prêmio pelo montador que estava ausente e solta a polêmica que mudaria o rumo do Festival. Ele já sabia que iria ser premiado nessa categoria porque o site da UOL havia divulgado toda a relação dos vencedores no site. Choque! Produtores do Festival surpresos e embasbacados, burburinhos tímidos começaram entre o público. Verdade ou brincadeira de mau gosto? Verdade! Durante nossa transmissão do Festival via Twitcam constatamos que no site da UOL realmente aparecia todos os vencedores de todas as categorias. Ainda num clima morno podemos ver O Filho do Vizinho bem aplaudido na premiação de Direção de Arte. Eis que Frederico Cabral sobe novamente ao palco premiado por Melhor Roteiro. Ele pede desculpas pelo que falou, mas recebe vaias da platéia. Outras pessoas criticaram atitude dos que vaiaram, pois o prêmio foi merecido e que a culpa do vazamento era de responsabilidade do Festival. A polêmica se consolidou. A credibilidade da premiação foi posta em cheque. A imprensa já se mobilizou. Tudo armação?

Ao final da premiação dos curtas digitais, boa parte do público já havia saído da sala. Matinta, bem elogiado pelo público, faturou Melhor Som e Melhor atriz com Dira Paes, o diretor se mostrou muito feliz e fez até uma tentativa em vão de fazer a Dira Paes agradecer o prêmio pelo celular. A Mula Teimosa e o Controle Remoto, filme também muito elogiado, ganhou o prêmio de melhor ator com a dupla mirim do filme: Vinny Azar e Ítalo Teixeira. Acercadacana venceu como Melhor Filme. Mas o destaque foi para o curta Braxília de Danyella Proença, que entre os prêmios conquistados tem o do Júri Popular. A diretora brasiliense visivelmente emocionada, agradeceu a todos. Logo após sua produtora toma a voz e critica veementemente a organização do Festival exigindo uma explicação dos responsáveis perante à todos. Sergio e Marta explicam que o ocorrido foi uma surpresa para eles também e que após o encerramento a Assessoria de Imprensa do Festival falaria sobre o que aconteceu. Os ânimos chegaram ao limite nesse ponto. Nicholas Behr, poeta marginal de Brasíla que foi homenageado no filme, também deixou seu protesto perante o público.

A premiação dos longas 35mm não poderia ser mais fria e desinteressante. À essa hora todos já sabiam dos resultados. A cada categoria premiada, alguém expressava sua opinião sobre o ocorrido. Transeunte de Eryk Rocha, filho do célebre cineasta Glauber Rocha, levou o prêmio por som e ator com o veterano Fernando Bezerra. A Alegria levou 2 candangos. Os Residentes faturou 4. O grande campeão da noite foi O Céu Sobre os Ombros de Sérgio Borges, ganhando Melhor Filme, Júri pelo Elenco, Direção, Roteiro e Montagem. Sérgio Borges agradeceu e elogiou o Festival de Brasília pela aposta. Amor? de João Jardim, levou apenas o prêmio do Canal Brasil pelo Júri Popular. Vigias, documentário de Marcelo Lordello, ficou de mãos vazias. Após o anúncio, a imprensa já estava concentrada em frente ao palco. Michel Medeiros e outra assessora de imprensa comunicaram o ocorrido. Eles liberaram a lista para as mídias impressas pouco tempo antes do início da cerimônia entretanto o resultado só poderia ser divulgado no dia seguinte. A Folha/UOL não cumpriu o acordo e liberou antes da hora. O público se manifestou contra a Folha e exigiram processo. Ao fim da premiação sobraram apenas os concorrentes da noite e o paparico da imprensa.

Por Bruno Lôbo Campos
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