# CRÍTICA: mostras brasília e digital, sábado e domingo

O Silêncio do Mundo (2010) – Bárbara Cariry

Um cinema experimental e sensorial tem se mostrado bastante presente nesse Festival. O Silêncio do Mundo, de Bárbara Cariry, é um desses filmes. A diretora nos priva do som e nos joga na solidão de uma menina surda-muda. É a forma de tentar perceber, se transportar nesse universo, nos imaginar e nos ver no outro. Solidão essa que se acaba no contato com outros jovens na mesma condição. Através da Libras, a linguagem dos sinais, uma comunicação efervescente e animada acontece. É como se estivéssemos imersos em sons, no silêncio total. Em um dos melhores momentos do filme, a menina olha diretamente para câmera. Seus olhos dialogam com a gente. Não é preciso a fala ou a Libras para enxergar esse mundo.

Por Bruno Lôbo Campos

Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

 

Tempo de Criança (2010) – Wagner Novais

O Filho do Vizinho (2010) – Alex Vidigal

Dois filmes que exploram o universo infantil de uma maneira lúdica e poética. Em Tempo de Crianças, duas crianças de pouca idade ficam sozinhas em casa enquanto sua mãe sai para trabalhar. O filme mostra o prazer da diversão, a alegria das duas meninas quando brincam. Inocência retratada com uma fotografia super saturada, mas nem tudo é brincadeira. Enquanto a mãe sai, a irmã mais velha cuida da casa e da irmã mais nova. Prepara a comida, limpa a casa, vigia a irmã, e se culpa quando não dá conta do recado. É o simples fato de ser uma criança. No filme de Alex Vidigal, uma criança enclausurada em casa possui admiração pelo filho do vizinho. Um garoto que vive brincando e fazendo molecagem na rua. A criança em casa sente alguma coisa nele que não sente com os demais, sempre quis brincar com ele e ele o chamava, mas sua mãe não deixava. O motivo não menos óbvio para a criança não sair de casa é revelado. O filme mostra o valor da amizade independente das circunstâncias. A edição e a narrativa lembra os quadrinhos, os gibis de Maurício de Sousa. São histórias onde adultos são meros coadjuvantes. Histórias infantis com valores de gente grande.

Por Bruno Lôbo Campos

Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

“Lendo no escuro” (2009) – Marcelo Pedrazzi

Muitas coisas com o passar do tempo permanecem imutáveis por tradição ou comodidade, e o ofício de distribuidor de jornais no Rio de Janeiro é uma dessas coisas, sendo tema abordado nesse documentário de Marcelo Pedrazzi sobre o último dia de trabalho de seu pai depois de vinte anos na atividade. Ele acompanha a rotina de acordar de madrugada, ir até a loja e a abrir, daí atender os clientes que vão chegando, encontrar velhos conhecidos, colegas de trabalho, bater papo e falar um pouco sobre o ofício de cada um. Há comentários sobre a profissão ser desgastante, não pagar tão bem, não ter evoluído todo esse tempo, só que de uma maneira bem natural e informal, sem panfletagem.
Imagem em preto-e-branco que dá um ar sóbrio e banal, fastidioso, ainda assim bonito, e o enquadramento ora próximo ora distante da ação dá uma impressão de ser realmente um filho visitando o trabalho do pai. Quando este chega, alguém se afasta, fica ali próximo sem muita intromissão, espera o pai dar a palavra, pedir pro amigo do trabalho explicar alguma coisa, e aí escuta, se aproxima mais. Vários planos sem muito diálogo, apenas o barulho da rua na madrugada, de algum carro que passa por ali uma vez ou outra. Sem trilha sonora, retrata fidedignamente um cotidiano como qualquer outro e uma relação entre pai e filho como qualquer outra, tornando a identificação com aquela situação mais possível.
O filme é belo justamente porque é simples. Recomendado!

Por Lucas Simões
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º semestre

“Com a mosca azul” (2010) – Cesar Netto

O termo “mosca azul” faz alusão a uma antiga lenda de uma mosca cuja picada gerava uma grande ambição por poder, que em alguns casos é confundida com a ‘mosca do sono’ que com sua picada coloca as pessoas em um sono do qual elas não podem acordar. O filme de Cesar Netto se apropria dessa lenda e cria na mosca azul uma metáfora da morte, no sono do qual não se acorda mais, e reflete sobre a inevitabilidade e imprevisibilidade da morte e nossa fragilidade e impotência diante dela. Conta a história de cinco amigos que se reencontram no apartamento de um deles, daí iniciando uma crítica extremamente sarcástica com uma excelente dose de humor negro a respeito da morte. Trata a morte como algo banal e corriqueiro da vida, cíclico, e transforma seres humanos em criaturas facilmente descartáveis e meio indiferentes a tudo isso.
Usando a mais câmera parada, planos médios e gerais, e alguns movimentos de câmera pra agilizar a ação e poupar tempo, acaba gerando um ritmo uniforme, tranquilo, que permite que se observe a ação e que se aproveite bem os momentos engraçados. Associados a isso, há uma direção de arte inteligente que pega uma casa que traz a morte e a enche de cor e de vida, um figurino simples de cores sóbrias e tons mais escuros, à semelhança do tema sombrio do filme. Tudo isso marcado pela ausência de trilha sonora, com apenas alguns efeitos de som pra enfatizar o interior do protagonista, dono do apartamento, que percebe a presença da mosca e começa a suspeitar que sua existência possa ter alguma relação com os acontecimentos estranhos que ali se sucedem.
Uma interessante e criativa maneira de lidar com o tema morte, filme muito bem realizado. Muito bom!

Por Lucas Simões
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º semestre

“O gato na caixa” (2010) – Cauê Brandão

A expressão “o gato na caixa” faz referência ao experimento mental chamado ‘Gato de Schrödinger’, um paradoxo que no filme é aplicado sem a teoria que o paradoxo defende. Um gato é colocado dentro de uma caixa com um frasco de veneno, e a única maneira de se descobrir o que está acontecendo é abrir a caixa. Essa idéia é de certa forma o conflito do filme de Cauê Brandão, onde um pai precisa ‘abrir a caixa’ de seu relacionamento com sua filha, fragilizado pela distância de um pai ausente.
O filme se expressa na câmera parada, enquadrando geralmente ambos os personagens em um diálogo, sem o recurso da montagem em campo/contracampo, enfatizando as expressões faciais e reações dos personagens, que vestem figurinos simples e que funcionam: o pai, inexperiente, se veste de uma maneira simples e despreocupada, a filha adolescente e perturbada se veste de uma maneira bela e meio sombria contrastando com roupas imponentes da psicóloga. O cenário, composto também de maneira simples, some diante do drama daquelas personagens. Somente se destaca o consultório da psicóloga, que possui vários livros e um enorme espaço entre a mesa da psicóloga e a personagem principal sentada no sofá, tudo arrematado por uma trilha sonora simples e poderosa que condensa bem o sentimento de angústia daquele relacionamento.
Uma bonita história de drama e reconciliação. Assistam!

Por Lucas Simões
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º semestre

“Onde você vai?” (2010) – Victor Fisch

Victor Fisch nos insere no cotidiano de um casal de velhinhos, Sonia e Elias, que vão seguindo com a vida dentro de uma rotina simples que é ditada pelo relógio, onde eles pacientemente se sentam e esperam dar a hora de fazer alguma coisa. Enquanto aguardam o relógio anunciar a próxima atividade, conversam sobre a vida que tiveram. Sonia observa a paisagem pela janela ou cantarola sentada no sofá, Elias lê o jornal da semana passada. Reflete sobre como estamos presos ao tempo do mundo, ao tempo de nós mesmos e ao tempo uns dos outros, até mesmo ao tempo do micro-ondas. Sônia constantemente comenta com Elias sobre o mundo lá fora, sobre a paisagem, sobre o que pode estar acontecendo, sobre as viagens que fizeram, sobre os filhos que tiveram, como se tentasse estimular Elias a se interessar também pela vida que ainda resta, o que ainda há pra viver, já que Elias parece contente em aguardar o relógio anunciar a hora de sua morte.
O filme apresenta planos cujos objetivos são capturar a leveza desses personagens, a simplicidade de suas memórias fracas, sua humildade, sua vivacidade, com uma fotografia suave, luz mais amarelada, realçando esse tom de vida nos personagens e na casa, associada a figurinos que enfatizam a simplicidade dos personagens: Elias com camisa social, calça e suspensórios que criam a idéia do homem trabalhador e Sônia com roupas leves que dão idéia de dona de casa, mas dona de casa de lares antigos, que não tinham micro-ondas. Possui uma trilha sonora em boa parte executada por Sônia, que cantarola algumas músicas, esquecendo um pedaço ou outro da letra.
Nesses personagens não se associa a idéia de velhice ao fim, à morte, mas existe sempre uma vivacidade em suas ações, uma esperança em seu dia-a-dia. Uma linda realização. Recomendado!

Por Lucas Simões
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º semestre

“Filhos (as) do Cerrado” (2010) – Gilney B. Maia

O curta abre com um depoimento sem um contexto, sem apresentar antes o tema do documentário, que é a importância de todos os cidadãos lutarem pelos seus direitos, deixando o depoimento, infelizmente, sem sentido porque não se sabe muito bem do que aquele personagem está falando. Apesar disso, o documentário possui uma boa iniciativa e representa um ato essencial no nosso país que é lembrar sempre dos erros dos nossos líderes, somente não apresentando essa premissa tão bem. O conflito entre estudantes e polícia resgata os anos de luta estudantil na ditadura e rememora a força dos estudantes naquela época. No entanto, não existe uma clara visão do outro lado, ou seja, dos líderes ou da polícia ou quem quer que seja, retirando a imparcialidade por lado do realizador. O curta se torna então mais um formador de opinião.
Documentário com mais câmera na mão, sem muitos talking heads, o que o torna mais dinâmico e funciona melhor para sua proposta, tornando-o também muito mais verídico. Possui a cena mais tensa de todos os filmes criticados neste festival justamente por ser uma cena real e pela câmera na mão criar essa impressão de realidade, inserindo melhor o espectador na cena. Todo som é diegético, o que nos insere melhor no contexto apresentado pela narrativa documental.
Uma iniciativa louvável. Vale a pena conferir!

Por Lucas Simões
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º semestre

“Salto fino” (2009) – Pedro Valente

Um homem chega cansado do trabalho e tenta dormir, mas não consegue por causa sons de passos no andar de cima, salto alto, e daí começa sua fantasia e, consequente
mente, sua obsessão. O curta do diretor brasiliense Pedro Valente é uma comédia de como até mesmo as formas mais superficiais de desejo podem tomar conta de nós. O protagonista cria sua musa em cima do fetiche do salto alto, isso controla a maneira com a qual ele vive sua vida amorosa. Enquanto não soluciona o mistério dos passos misteriosos, ele se torna refém de suas próprias suposições.
Possui tanto câmera parada quanto câmera em movimento, em um ritmo ágil que prioriza a narrativa e dá mais espaço para as cenas de humor. A câmera está mais em função de capturar as situações do que personagens, e consegue capturar boas situações. A trilha não-diegética fica em função de comunicar as emoções do personagem.
Garantia de boas gargalhadas. Recomendado!

Por Lucas Simões
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º semestre


 

“Lendo no escuro” (2009) – Marcelo Pedrazzi

 

Muitas coisas com o passar do tempo permanecem imutáveis por tradição ou comodidade, e o ofício de distribuidor de jornais no Rio de Janeiro é uma dessas coisas, sendo tema abordado nesse documentário de Marcelo Pedrazzi sobre o último dia de trabalho de seu pai depois de vinte anos na atividade. Ele acompanha a rotina de acordar de madrugada, ir até a loja e a abrir, daí atender os clientes que vão chegando, encontrar velhos conhecidos, colegas de trabalho, bater papo e falar um pouco sobre o ofício de cada um. Há comentários sobre a profissão ser desgastante, não pagar tão bem, não ter evoluído todo esse tempo, só que de uma maneira bem natural e informal, sem panfletagem.

Imagem em preto-e-branco que dá um ar sóbrio e banal, fastidioso, ainda assim bonito, e o enquadramento ora próximo ora distante da ação dá uma impressão de ser realmente um filho visitando o trabalho do pai. Quando este chega, alguém se afasta, fica ali próximo sem muita intromissão, espera o pai dar a palavra, pedir pro amigo do trabalho explicar alguma coisa, e aí escuta, se aproxima mais. Vários planos sem muito diálogo, apenas o barulho da rua na madrugada, de algum carro que passa por ali uma vez ou outra. Sem trilha sonora, retrata fidedignamente um cotidiano como qualquer outro e uma relação entre pai e filho como qualquer outra, tornando a identificação com aquela situação mais possível.

O filme é belo justamente porque é simples. Recomendado!

 

 

“Com a mosca azul” (2010) – Cesar Netto

 

O termo “mosca azul” faz alusão a uma antiga lenda de uma mosca cuja picada gerava uma grande ambição por poder, que em alguns casos é confundida com a ‘mosca do sono’ que com sua picada coloca as pessoas em um sono do qual elas não podem acordar. O filme de Cesar Netto se apropria dessa lenda e cria na mosca azul uma metáfora da morte, no sono do qual não se acorda mais, e reflete sobre a inevitabilidade e imprevisibilidade da morte e nossa fragilidade e impotência diante dela. Conta a história de cinco amigos que se reencontram no apartamento de um deles, daí iniciando uma crítica extremamente sarcástica com uma excelente dose de humor negro a respeito da morte. Trata a morte como algo banal e corriqueiro da vida, cíclico, e transforma seres humanos em criaturas facilmente descartáveis e meio indiferentes a tudo isso.

Usando a mais câmera parada, planos médios e gerais, e alguns movimentos de câmera pra agilizar a ação e poupar tempo, acaba gerando um ritmo uniforme, tranquilo, que permite que se observe a ação e que se aproveite bem os momentos engraçados. Associados a isso, há uma direção de arte inteligente que pega uma casa que traz a morte e a enche de cor e de vida, um figurino simples de cores sóbrias e tons mais escuros, à semelhança do tema sombrio do filme. Tudo isso marcado pela ausência de trilha sonora, com apenas alguns efeitos de som pra enfatizar o interior do protagonista, dono do apartamento, que percebe a presença da mosca e começa a suspeitar que sua existência possa ter alguma relação com os acontecimentos estranhos que ali se sucedem.

Uma interessante e criativa maneira de lidar com o tema morte, filme muito bem realizado. Muito bom!

 

 

 

 

“O gato na caixa” (2010) – Cauê Brandão

 

A expressão “o gato na caixa” faz referência ao experimento mental chamado ‘Gato de Schrödinger’, um paradoxo que no filme é aplicado sem a teoria que o paradoxo defende. Um gato é colocado dentro de uma caixa com um frasco de veneno, e a única maneira de se descobrir o que está acontecendo é abrir a caixa. Essa idéia é de certa forma o conflito do filme de Cauê Brandão, onde um pai precisa ‘abrir a caixa’ de seu relacionamento com sua filha, fragilizado pela distância de um pai ausente.

O filme se expressa na câmera parada, enquadrando geralmente ambos os personagens em um diálogo, sem o recurso da montagem em campo/contracampo, enfatizando as expressões faciais e reações dos personagens, que vestem figurinos simples e que funcionam: o pai, inexperiente, se veste de uma maneira simples e despreocupada, a filha adolescente e perturbada se veste de uma maneira bela e meio sombria contrastando com roupas imponentes da psicóloga. O cenário, composto também de maneira simples, some diante do drama daquelas personagens. Somente se destaca o consultório da psicóloga, que possui vários livros e um enorme espaço entre a mesa da psicóloga e a personagem principal sentada no sofá, tudo arrematado por uma trilha sonora simples e poderosa que condensa bem o sentimento de angústia daquele relacionamento.

Uma bonita história de drama e reconciliação. Assistam!

“Onde você vai?” (2010) – Victor Fisch

Victor Fisch nos insere no cotidiano de um casal de velhinhos, Sonia e Elias, que vão seguindo com a vida dentro de uma rotina simples que é ditada pelo relógio, onde eles pacientemente se sentam e esperam dar a hora de fazer alguma coisa. Enquanto aguardam o relógio anunciar a próxima atividade, conversam sobre a vida que tiveram. Sonia observa a paisagem pela janela ou cantarola sentada no sofá, Elias lê o jornal da semana passada. Reflete sobre como estamos presos ao tempo do mundo, ao tempo de nós mesmos e ao tempo uns dos outros, até mesmo ao tempo do micro-ondas. Sônia constantemente comenta com Elias sobre o mundo lá fora, sobre a paisagem, sobre o que pode estar acontecendo, sobre as viagens que fizeram, sobre os filhos que tiveram, como se tentasse estimular Elias a se interessar também pela vida que ainda resta, o que ainda há pra viver, já que Elias parece contente em aguardar o relógio anunciar a hora de sua morte.

O filme apresenta planos cujos objetivos são capturar a leveza desses personagens, a simplicidade de suas memórias fracas, sua humildade, sua vivacidade, com uma fotografia suave, luz mais amarelada, realçando esse tom de vida nos personagens e na casa, associada a figurinos que enfatizam a simplicidade dos personagens: Elias com camisa social, calça e suspensórios que criam a idéia do homem trabalhador e Sônia com roupas leves que dão idéia de dona de casa, mas dona de casa de lares antigos, que não tinham micro-ondas. Possui uma trilha sonora em boa parte executada por Sônia, que cantarola algumas músicas, esquecendo um pedaço ou outro da letra.

Nesses personagens não se associa a idéia de velhice ao fim, à morte, mas existe sempre uma vivacidade em suas ações, uma esperança em seu dia-a-dia. Uma linda realização. Recomendado!

“Filhos (as) do Cerrado” (2010) – Gilney B. Maia

O curta abre com um depoimento sem um contexto, sem apresentar antes o tema do documentário, que é a importância de todos os cidadãos lutarem pelos seus direitos, deixando o depoimento, infelizmente, sem sentido porque não se sabe muito bem do que aquele personagem está falando. Apesar disso, o documentário possui uma boa iniciativa e representa um ato essencial no nosso país que é lembrar sempre dos erros dos nossos líderes, somente não apresentando essa premissa tão bem. O conflito entre estudantes e polícia resgata os anos de luta estudantil na ditadura e rememora a força dos estudantes naquela época. No entanto, não existe uma clara visão do outro lado, ou seja, dos líderes ou da polícia ou quem quer que seja, retirando a imparcialidade por lado do realizador. O curta se torna então mais um formador de opinião.

Documentário com mais câmera na mão, sem muitos talking heads, o que o torna mais dinâmico e funciona melhor para sua proposta, tornando-o também muito mais verídico. Possui a cena mais tensa de todos os filmes criticados neste festival justamente por ser uma cena real e pela câmera na mão criar essa impressão de realidade, inserindo melhor o espectador na cena. Todo som é diegético, o que nos insere melhor no contexto apresentado pela narrativa documental.

Uma iniciativa louvável. Vale a pena conferir!

“Salto fino” (2009) – Pedro Valente

Um homem chega cansado do trabalho e tenta dormir, mas não consegue por causa sons de passos no andar de cima, salto alto, e daí começa sua fantasia e, consequentemente, sua obsessão. O curta do diretor brasiliense Pedro Valente é uma comédia de como até mesmo as formas mais superficiais de desejo podem tomar conta de nós. O protagonista cria sua musa em cima do fetiche do salto alto, isso controla a maneira com a qual ele vive sua vida amorosa. Enquanto não soluciona o mistério dos passos misteriosos, ele se torna refém de suas próprias suposições.

Possui tanto câmera parada quanto câmera em movimento, em um ritmo ágil que prioriza a narrativa e dá mais espaço para as cenas de humor. A câmera está mais em função de capturar as situações do que personagens, e consegue capturar boas situações. A trilha não-diegética fica em função de comunicar as emoções do personagem.

Garantia de boas gargalhadas. Recomendado!

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