#Críticas – Mostra Brasília 24/11

Todos os participantes envolvidos nesta mostra estão aqui pelo amor ao cinema.  Digo isto para enfatizar que dentre todas as produções da mostra, das que esbanjam câmeras em alta definição e trilhas originais às que foram gravadas com câmeras de bolso, a grande maioria provavelmente foi realizada com equipes que, em vez de receber salários pelo trabalho, dedicaram seu tempo, esforço e dinheiro por amor a este meio de expressão e pela crença das mensagens e pontos de vista que queriam nos passar.  Não só isto, mas são nossos conterrâneos, expoentes do cinema Brasiliense!  Começo com este pequeno disclaimer porque já digo agora, não tenho o menor interesse em postar qualquer crítica negativa sobre estes filmes, mas sim em aproveitar a Mostra Brasília para ressaltar os talentos da nossa capital.  Quanto a estes filmes já digo: minha crítica não é objetiva!

Mostra Brasília – Curtas Digitais
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre


Filme documentário em que o estudante de jornalismo Erasmo Salomão acompanha um gari em seu dia de trabalho.  O diretor consigo acesso não só a vida domiciliar deste personagem interessante, mas também as opiniões de vários sociólogos e especialistas sobre a profissão como um todo.  Como o diretor mesmo diz, é um universo este que muitos não conhecem, ou se negligenciam em conhecer, mas de suma importância à convivência urbana.  O assunto com certeza precisa de mais aprofundamento e caso o diretor queira fazer um longa-metragem ao longo prazo, a oportunidade é boa.

Profissão Gari – Invisibilidade Visível (2010), de Erasmo Salomão
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre


Filme no estilo documentário (mesmo que se trate de uma ficção) sobre o sucesso e as implicações da cirurgia Hassali, capaz de religar pais e filhos pelos dentes com um cordão orgânico (o cordão natural se perde com a queda dos primeiros dentes da criança).  Procedimento Hassali parece ser uma super-produção, com excelentes atores, locações bem interessantes, arte e fotografia de primeira, assim como um senso de humor escancarado mas ao mesmo tempo imperceptível aos diversos personagens que habitam este universo paralelo, todos relatando suas histórias com caras sérias.  Ao mesmo tempo que brinca, o filme explora bem o tema de pais e filhos.

Procedimento Hassali ao alcance do seu bolso (2010), de Saulo Tomé e Natália Pires
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre

 

Narrativa ficcional que trata da exploração e da impunidade em nossa sociedade. O filme conta de maneira objetiva a história da menina Tonha e do xerife da cidade, ambos confrontados pelo filho do coronel local.  O filme não retrata somente esta história, mas convida o espectador a sentir todas as emoções da trama e a refletir sobre como tratamos uns aos outros.

Maria Antonieta faz aniversário (2010), de Ignácio Amaral
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre

Um casal, passando sua “segunda lua-de-mel” no carnaval de Salvador, fica preso no banheiro da pousada antes mesmo de saírem para o bloco.  O set-up é ideal para um roteiro que explora as fraquezas e os pontos fortes dos relacionamentos.  A diretora consegue alterar o clima entre humor e angústia muito bem enquanto seu personagens dialogam sobre coisas banais como a intimidade de assistirem um ao outro indo ao banheiro, ou se desesperando com a morte em local tão conotativo e temas sérios, como a traição e as expectativas.  A câmera sempre bem posicionada e fluída leva o espectador a um final ambíguo, e deixa o resultado sobre o que acontecerá com estes dois personagens à imaginação.

W.C. (2010), de Thaine Santos
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre

Este filme procura trocar a narrativa pelo linguajar poético para retratar o relacionamento entre um pai e sua filha através dos anos, desde que ela é uma menininha até o dia em que ela tem uma filha para si própria.  Passado, em sua maior parte, no sofá da sala de estar, os diretores não se interessam em retratar os pormenores ou as dificuldades dos personagens, mas sim em retratar a relação pai e filha com amor e emoção.  A direção de arte utiliza toques sutis, como leves mudanças nos porta-retratos para preencher a vida destes personagens, e a fotografia passa de um lado para o outro, como o pêndulo de um relógio que conta a passagem dos anos.

Expresso (2010), de João Lucas Braga e Raphael Cardoso
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre


Muitos logo notaram que a câmera usada neste filme já não tinha a melhor qualidade, mas não os deixe ofuscar a linguagem cinematográfica que os diretores deste curta usaram para que cinco conhecidos explicassem a origem de seus apelidos.  Enquadramento, montagem e trilha são bem trabalhados enquanto passamos de um entrevistado a outro neste documentário.  Os diretores se empenharam no resultado final e mostraram que são capazes de fazer cinema.

Biografia do Apelido (2010), de Renato Rhugas e Gil Pedro
Por Luiz Estevão de Oliveira
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 5º semestre

 

É perceptível o grau de consciência que o realizador exerce sobre seu filme; é certo, ainda mais, que o texto possui uma elaboração que beira a elegância e a precisão, desse modo não deixa de ser uma obra correta e bem construída no que se propõe. No entanto, propositalmente ou não, ele acaba por resvelar para o novelesco, submetendo a sua elegância a um desfecho no mínimo óbvio. Aqui o melodrama conjugal rodriguiano escorrega para o dramalhão mexicano e o charmosismo dos diálogos perde-se na sua própria formalidade. A vontade de forjar, ali, um gênero desconstrói a força e a elegância pontente implícita na obra.

O que as cartas não veem… Marconi Martins de Araujo, 13min12, DF
Por Cássio

A poesia que deseja, demetemente, a imagem! Dois documentários, Estação da cidade e Brasília do Brasil seguem o mesmo caminho para expor seus conteúdos, cujo Brasília é a linha e cerne. No primeiro o realizador traz um olhar afetivo sobre a cidade traduzindo o espaço através das estacões; já o segundo filme se apropria de um texto mais truculento para discutir uma Brasília moderna e arbitrária. Nesses filmes as imagens tornam-se tão somente meras ilustrações e essas não mais que vinhetas ultrapassadas de telejornais. Ignácio,de João Rafael, 7min, DF Por Cássio Ignácio, dirigido por João Rafael, traz o mais do mesmo ao construir um personagem com um dilema pisicológico em torno de um trauma. O filme, no todo, não passa de um exercício despretencioso. A trama não chega a ser cansativa, logo porque a duracão é breve.

Estação da cidade, de Jorge Martins Rodrigues, 8 min, DF
Brasília do Brasil, de Celina Cassal Josetti, 4min54, DF
Por Cássio

O filme é decorrente de um trabalho coletivo numa escola pública da cidade satélite do Paranóa em que os próprios alunos assumem a direção. O video tem uma natureza certamente institucional; há, obviamente, inocência na forma e uma vontade social no tema. O filme pretende e é feito pra contundir o jovem espectador ao submeter (simular) os alunos adolescente á experiências arbitrárias que a sociedade impõem no microcosmo do ambiente escolar. Aqui o cinema, como ficou claro na grande maioria dos filmes exibidos, é tão somente um trampolim para denúncias que se levam muito a sério.

Espelhos Partidos, direção coletiva, 14min, DF
Por Cássio

Documentário de cunho institucional, Mamulengo’s narra de forma breve da história do grupo Bagagem ao longo de vários anos de existência. Através de entrevistas com membros-chaves do grupo somos apresentados a essa Cia de Bonecos, sua história e o trabalho por eles desenvolvido. Os personagens se postam com naturalidade para a câmera não afugentando ou deixando desconfortável o espectador, é um ponto positivo por se tratar de não-atores. Acompanhamos o processo de produção dos bonecos e aprendemos sobre a confecção de vários tipos, inclusive o popular Zé Gotinha, mascote das campanhas de vacinação infantil. O enfoque principal é direcionado ao processo de produção dos bonecos mamulengos, bastante populares no teatro de bonecos. A montagem se dispõe bastante visível desde os créditos iniciais, com cortes dinâmicos e uma estilização visual padronizada. O diretor Agnaldo Moraes também utiliza materiais de apoio para a montagem fílmica. São vídeos antigos gravados em VHS, antigas produções teatrais (algumas editadas em preto e branco ou sépia), fotos de trabalho com crianças na escola, materiais que ajudam a contar um pouco do que foi a história do grupo e que aponta que todos continuarão a seguir o mesmo caminho.

“Mamulengo’s” (2010) – Agnaldo Moraes
Por Bruno Lôbo Campos
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

Pé Direito (um pé de tênis) e Melancia (um pé de sandália) somem misteriosamente da sapateira da nova casa de uma menina. Essa história é narrada pelo ponto de vista de um peixinho, esse é o filme de Naiara Rimoli produzido em animação stop-motion. O enredo flui deliciosamente, a narração pelo ponto de vista do peixe é bem construída e causa uma empatia com o espectador, conseguindo envolvê-lo na história. O mistério do desaparecimento e a incerteza do futuro permeiam o conflito do filme. O peixinho em sua condição de voyeur, preso no aquário em cima da sapateira, nos conta o conflito dos “habitantes” da sapateira com o caos do desaparecimento e a tensão de sua dona sobre o futuro. O stop-motion dá o tom adequado ao filme passando a sensação de humanização dos personagens. A direção de arte bem clean e colorida também nos aproxima à sensibilidade do filme. O peixinho encontra os pés que acharam seu futuro e o futuro incerto da menina é certo que dará aos sapatos daquela sapateira a vida de sapato que tanto desejavam.

“Na Casa ao Lado” (2010) – Naiara Rimoli
Por Bruno Lôbo Campos
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

Mil Vezes é uma animação de 2010 dirigido por Cleuberth Choi, conta a história de uma menina que sente a ausência de um carinho fraterno Ela é uma pessoa solitária, suas expressões são bem tristes e amargas. Acompanhamos a garota em seu momento de solidão. Ela está sentada desenhando duas pessoas felizes, uma com flor em mãos, símbolo do carinho familiar que procura. Olha para a mãe sentada no sofá que não lhe dá atenção. A televisão a distrai e as imagens presentes levam a pensar em sua avó que nem chegou a conhecer. A inserção de fotos e vídeos reais como imagem televisiva não funcionou e não contribuiu para o desenvolvimento emocional do filme. A animação consegue passar o lirismo presente no enredo, mas não causa o pouco do impacto emocional que o tema traz consigo.

“Mil Vezes” (2010) – Cleuberth Choi
Por Bruno Lôbo Campos
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

Às vezes me sinto só em Brasília. Com essa frase somos lançados à mistura louca que é o filme de Jacques Sanfilippo. Em seis capítulos, ele pretende contar um pouco sobre a história de Brasília. Alienígenas, poluição visual, o alcoolismo, pensamentos embaraçosos, tudo virando cinzas! São histórias distintas que possam ter em comum alguma ligação, por mais absurda possa ser, em passar um pouco do que é Brasília e/ou (ou não) a sensação de ser alheio a ela. Cada capítulo foi filmado com muito humor e uma montagem ágil, mas de jeitos diferentes, seja documentário, ou ficção, animação. Um filme tão curioso e intrigante quanto os sonhos do Kurosawa. Melhor acabar logo que eu estou com sono.

“Só em Brasília – Capítulos do Um ao Seis” (2009) – Jacques Sanfilippo
Por Bruno Lôbo Campos
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

O filme começa mostrando um fotógrafo sentado em sua cadeira. Ele se levanta, liga a vitrola, fuma. A direção de arte nos mostra com clareza que a história se passa em uma época mais antiga pelos móveis, a vitrola e o tipo da máquina fotográfica e também pela paleta de cores num tom pastel. O tempo passa para esse fotógrafo e já não o temos mais nessa casa. Seus pertences ainda permanecem lá, mas estão sendo encaixotados. Somos arremessados para o presente e a arte também muda, o ambiente ficará com um visual mais colorido e limpo. O novo jovem proprietário descobre uma das caixas com as coisas do antigo dono. Vasculhando a caixa ele encontra a máquina fotográfica e uma fotografia do homem como fotógrafo na época, que era mantida por segredo por alguns instantes atrás. O jovem tira uma foto disso com sua máquina digital como registro. Memórias de um Recuerdo mostra a preservação da memória antiga pelas novas gerações.

“Memórias de un Recuerdo” (2010) – David Alves Mattos
Por Bruno Lôbo Campos
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre

Duale (2010), filme de Rodrigo Luiz Martins, mostra a intimidade de um rapaz no banheiro. O rapaz entra no banheiro, aparentemente de sua casa. Notamos um pequeno corte na bochecha que sangra um pouco. Rodrigo utiliza movimentos fixos de câmera e enquadramentos nada convencionais para contar a história, como por exemplo: câmera do ponto de vista do vaso sanitário e do ralo do chuveiro. O personagem psicologicamente se torna mais instável, acompanhamos sua tensão ao urinar e lavar o rosto. Ele deixa uma ferramenta cair no chão. Vemos o suor, a água, o sangue de seu rosto pingando no chão. A escatologia, mais branda do que pareceu ser, veio no final do filme. Finalmente a câmera revela um refém no box do banheiro, amarrado e amordaçado. O rapaz pega a ferramenta do chão mata o refém no box com vários golpes. A câmera assume o ponto de vista do refém na hora do assassinato, o sangue jorra por ela. Enfim, desespero gradual emocional e psicológico, assassinato num banheiro. Acho que já vi isso em Psicose.

“Duale” (2010) – Rodrigo Luiz Martins
Por Bruno Lôbo Campos
Aluno de Cinema e Mídias Digitais – 6º Semestre
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